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“No triathlon, primeiro você tem que conseguir vencer você mesmo”

Amor incondicional é o que Ciro Violin sente pelo triathlon. E é por isso (e por muito mais) que seu nome já está gravado na história deste esporte no país. O cara é o arco e a flecha. A plenitude da garra e da dedicação. A entrega incondicional. A explicação mais límpida do que para muitos pode parecer inexplicável. Mas parem de quebrar as cabeças para entendê-lo: o cara ama e pronto!

Coleciona resultados espetaculares, mas deixa sempre transparecer um gosto de quero mais: é um gladiador na essência que acredita que marcas devem ser derrubadas. Uma a uma como se o ser humano, pelo menos no desejo de realizar, fosse inesgotável.

Mas vamos deixar de delongas e seguir para a entrevista. Senão ele sai para mais um treino no asfalto que o reverencia, destes nos quais ele invariavelmente entrega a sua alma aos anjos.

O que você sente quando completa uma prova casca grossa e observa que registrou um tempo excelente?

Sinto que valeu a pena cada treino sofrido nadando, pedalando ou correndo na chuva, no sol, no calor, ou no frio, e que atingi o objetivo principal: ficar feliz comigo mesmo.

A pergunta básica: porque não ingressou na elite?

Isso agora só depende de mim, pois depois de conseguir alguns bons resultados no amador, os apoios apareceram. Apesar de ainda não me sentir preparado para andar junto com ``os caras´´, irei para a elite em 2011 em provas de olímpico e 70.3. Em 2010 estou inscrito em muitas provas importantes como amador, e vou assim até o final ano. Não me sinto bom o suficiente para ingressar no profissional, mas darei a ``cara para bater´´.

Qual prova foi a inesquecível para você?

Com certeza o IronMan Hawaí 2009. Ele sempre foi meu objetivo principal dentro do esporte, e acredito que é o mesmo de quase todos os triatletas. Tive um ótimo dia lá, e finalizei a prova como o 18º melhor amador do mundo em provas de IM wm 2009. Isso foi o máximo para mim. Se em 2010 eu conseguir chegar próximo do que fiz em 2009, ficarei feliz. Foi um ótimo ano para mim.

Na sua avaliação qual é a essência deste esporte?

Ótima pergunta...Na minha avaliação, a essência desse esporte é uma mistura de paixão, desafio, disciplina, vontade de ficar out dor, respeito, auto conhecimento, re-educação, e muita força de vontade. O que vemos hoje em dia, são novos triatletas que querem o desafio, mas não tem paixão. Que tem disciplina, mas não tem respeito. Que tem paixão, mas não tem força de vontade. No triathlon, primeiro você tem que conseguir vencer você mesmo, para apenas depois pensar em ganhar de alguém. Vejo atletas perdidos em suas planilhas de treino, comendo totalmente errado, e querendo abaixar tempo nas provas. Pergunto: Como?. Vejo também que o nosso esporte esta nas mãos de empresas que apenas visam lucro, e não ligam muito para quem realmente merece. Penso que quem ganha o IM Hawaí é o top dos tops, e pode ser considerado o atleta mais completo fisicamente daquele momento no mundo. E ele apenas ganha 100 mil dólares. O que é isso comparado com o tênis, ou o golfe? O triathlon esta, em alguns momentos, sendo banalizado,  é preciso ter primeiro princípio para depois entrar nesse mundo. Esse é o nosso mundo! Quem esta dentro dele sabe do que estou falando.

Qual é a sua relação com o Hawaí?

Bom, fui para o Hawaí apenas uma vez, e pretendo ir novamente esse ano. Isso se eu conseguir classificar, o que é muito difícil. Achei aquele lugar o máximo. É um lugar diferente, e que as forças da natureza são todas em maior escala, e se juntam para dificultar as coisas. No período do IM, a cidade respira triathlon. Todos parecem que nadam, pedalam e correm a qualquer horário do dia e até da noite. Gostei muito do lugar.

Qual modalidade atualmente você considera mais decisiva no triathlon?

Depende da distância e formato. Olímpico com vácuo considero a natação e a corrida importantes; olímpico sem vácuo, considero a bike e a corrida; 70.3 considero a bike importante e no IronMan considero a  bike e a corrida os mais  importantes com certeza.

Quando você compete atualmente quanto por cento é diversão e quanto é chateação?

Acho que como não vivo do esporte, considero 95% de diversão, e 5% de chateação. Considero o triathlon tão engrenado em minha vida como escovar os dentes, dormir, trabalhar, ou comer. Para mim é um segundo emprego, mas primeiro de tudo eu o faço para me divertir, fazer amizades, me conhecer, e conhecer lugares diferentes.

Você escreve bem também. De onde vem este talento?

Eu escrevo bem?!? Obrigado! Isso não é um talento não. Eu sou tão apaixonado por triathlon que fica fácil escrever. Quando se gosta tanto de uma coisa, você acaba fazendo coisas relacionadas a ela bem também. Eu apenas escrevo o que vem na cabeça, escrevo do jeito que falo e do jeito que penso, sem muita regra gramatical, ou concordância. Apenas escrevo. De qualquer maneira obrigado, e obrigado a todos que perdem um pouquinho de tempo para ler o que escrevo.  

Você se permite alguns prazeres da vida, digamos, beber uma cerveja com os amigos?

Eu gosto muito de sentar para conversar. Me dou de presente alguns momentos assim após conquistar objetivos no triathlon. Não gosto muito de cerveja, mas adoro tomar uma, acompanhado de amigos e de uma boa conversa. Acho que o ambiente somos nós que fazemos - não interessa nem hora e nem o lugar. Isso pode ser feito sentado na sarjeta, ou em um barzinho legal... o que importa é seu estado de felicidade e a companhia que esta ao seu lado.

O que você gosta de ler em se tratando de esportes?

Gosto de ler matérias relacionadas com alimentação e suplementação diretamente ligadas à esportes endurence. Acho que é uma área pouco estudada, mas que esta ganhando novas pesquisas e trabalhos. Como já disse em um texto no site Mundo TRI, considero a alimentação muito mais importante no triathlon do que qualquer roda fechada, aerobar, quadro de carbono, meias de compressão, ou roupa de borracha. As pessoas não sabem comer.

Teve algum dia que você sentiu durante os treinos que estava no esporte errado?

Sim, muitas vezes. Não só em treinos como em provas também. Em 2001, na faculdade, cheguei a abandonar o triathlon por três meses, pensando que eu não tinha nascido para o triathlon. Deixei a vontade de treinar voltar normalmente e devagar. Depois disso peguei firme e pouco a pouco  cheguei no dia de hoje. Penso que a paixão pelo esporte gera uma vontade, e que a vontade gera uma disciplina e que a disciplina gera bons resultados me deixando feliz.

Como você observa os atletas da nova geração?

Boa pergunta. Como já disse também em um texto, é claro que os atletas mais jovens teoricamente são melhores. Eles tem tudo fisiologicamente melhor que um atleta mais velho. O